sexta-feira, 2 de julho de 2010

Agora só para Setembro!


No dia 30 de Junho realizou-se a 2.ª e última reunião da sessão ordinária de Junho da Assembleia Municipal de Almada.


No período do público intervieram cinco munícipes entre os quais um trabalhador da CMA, cuja intervenção fora por ele entregue para distribuição aos deputados mas o Presidente da Assembleia não autorizou, ao contrário do que é hábito acontecer (sobre o assunto escrevi dois artigos: "Será que passou a haver censura na Assembleia Municipal de Almada?" e "Pensarão eles que a censura cala a verdade? Não, não calará!").


Mais uma vez os ânimos exaltaram-se entre o deputado Fernando Pena (do CDS) e a Presidente da Câmara, sobre as Terras da Costa, levando esta a afirmar que: "Não sei se o senhor FP tem alguma coisa contra as mulheres, mas seguramente contra a Presidente da Câmara tem."


Outro assunto polémico, trazido à discussão pelo PSD na reunião anterior, foi o caso da ECALMA, também hoje abordado pelo PS.
Na resposta que deu, a Presidente da CM abordou a questão da formação dos agentes, terminando dizendo que:"Enquanto autarcas se calhar também devíamos ter formação contínua".

No ponto dedicado à Actividade Municipal, o Luís Filipe apresentou o caso da Margueira e eu falei sobre reabilitação urbana e política social de habitação e acesso à informação, entre outros assuntos.

Apenas uma proposta da CMA para apreciação: "Adesão do Município de Almada à União das Cidades Capitas Luso-Afro-Américo-Asiáticas, UCCLA", a qual foi votada por unanimidade.

Pensarão eles que a censura cala a verdade? Não, não calará!

Esta foi a carta que enviei a solicitar esclarecimentos sobre o fenómeno dos documentos que nunca chegaram a ser entregues, conforme já noticiei no meu blogue pessoal: «Haverá censura na Assembleia Municipal de Almada?».

Exm.º Senhor Presidente,
da Assembleia Municipal de Almada

Na última reunião da Assembleia Municipal, realizada no passado dia 30 de Junho, o munícipe António Silva informou o plenário, expressamente, de que haviam sido distribuídas cópias do seu currículo aos deputados municipais. Todavia, o mesmo não foi entregue ao Bloco de Esquerda.

Assim como também não nos foi entregue o documento que o munícipe José António Pereiro entregou para ser distribuído aos autarcas, segundo informação do próprio.

E, em relação ao primeiro caso, acabámos de saber que, no dia 29-06 havia sido entregue nos serviços de apoio exemplares da intervenção de António Dias em número suficiente para distribuir um exemplar a cada um dos deputados municipais. Contudo, apenas foi entregue uma cópia por bancada.

Face ao exposto, venho, por este meio, solicitar a V.ª Ex.ª se digne responder, o mais breve possível, às seguintes questões:

Que disposição legal ou regimental determina que a distribuição de documentos entregues por um munícipe, mesmo com cópias suficientes para todos os deputados, seja apenas de um exemplar por grupo municipal?

Que disposição legal ou regimental impediu fosse feita a distribuição de um documento, entregue por um orador no período do público, aos deputados municipais?

De quem é a responsabilidade pelos acontecimentos atrás descritos?

Que medidas nos garantem que não voltam a acontecer atitudes semelhantes no futuro?

Que fizeram os serviços aos exemplares entregues e que não foram distribuídos?

Mais solicito, me seja entregue, por esta via, com a maior brevidade, uma cópia de cada um dos documentos atrás referidos.

Com os melhores cumprimentos, antecipadamente grata pela atenção dispensada,


Maria Ermelinda Toscano (Deputada do Grupo Municipal do Bloco de Esquerda)
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Entretanto, acabei de receber uma mensagem de correio electrónico de António Silva remetendo-me a intervenção ontem censurada na Assembleia Municipal e acrescentando alguma informação útil, que lhe foi fornecida pela funcionária do serviço de apoio à Assembleia Municipal hoje de manhã, quando lá se dirigiu para o efeito.

Como tal, resolvi escrever este artigo esclarecendo algumas das dúvidas que coloquei ao Presidente da Assembleia.

As fotocópias que não foram distribuídas tiveram como destino o caixote do lixo. [é caso para perguntar: e que precauções tomaram? É que aqueles documentos tinham dados pessoais que não era propriamente para ir parar às mãos de qualquer um…]

Relativamente à distribuição da documentação, compete ao Presidente da Mesa dar as indicações para o efeito:
Na 3ª feira, dos mais de quarenta exemplares que haviam sido entregues para distribuição, apenas foi entregue uma cópia à Presidente da Câmara e a mais nenhum vereador. Foi entregue, igualmente, um exemplar aos líderes de bancada.
Na 4.ª feira foi entregue à Presidente da Câmara e a nenhum vereador e na Mesa da Assembleia só o Presidente teve acesso. E terá sido entregue aos líderes de bancada.
[Terá sido entregue? Mas, afinal, a documentação foi, ou não foi, entregue?]

Ambos os documentos estão na Assembleia Municipal para que constem em acta e até podem ser pedidas pelos deputados [e pelos munícipes?].
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Houve, portanto, intenção deliberada em não distribuir a intervenção do trabalhador e a responsabilidade é do Presidente da Mesa da Assembleia, disso parece não restarem dúvidas.

Agora, terá tomado essa decisão sozinho? Ou ela resultou da vontade do conjunto de autarcas que compõem a Mesa? Em conversa com a 2.ª Secretária da Mesa, que é minha amiga, sei que pelo menos ela não participou na decisão. E até me disse que está solidária com ambos os trabalhadores.

Que motivos terão levado àquele acto de censura? Até custa a crer que tenha acontecido pois das pessoas com quem falei (autarcas da AMA, actuais e de anteriores mandatos, e de vários quadrantes políticos) não há memória de algo semelhante.

Mas aconteceu. E é muito grave! Altamente condenável. Uma ofensa à democracia.

Terá sido por naquele texto estar bem evidente que a senhora Presidente mentira na reunião anterior ao responder ao trabalhador em causa com soberba, tentando achincalhar a sua reputação, mais ou menos nestes termos: “durante esses oito anos o senhor limitou-se a carregar o equipamento do operador de câmara. Se julga que isso é trabalho jornalístico...”. E quanto ao outro trabalhador, tentou menorizar as suas competências afirmando algo no género: “beneficiou de um acto de magnanimidade da CMA que lhe deu a benesse de poder efectuar um estágio na DIRP”, como se ele fosse um coitado que de outra forma não teria capacidade para o conseguir, pois até tem chumbado em vários dos concursos realizados pela autarquia.

Ora a intervenção anexava, precisamente, os currículos de cada um deles provando que, afinal, têm provas dadas na área, com mérito reconhecido a nível académico e estágios profissionais bem classificados e um desempenho elogiado, contradizendo as infelizes palavras da senhora Presidente e demonstrando, claramente, que estão a ser alvo de discriminação.

É assim que se está ao lado dos trabalhadores? Talvez ao lado de alguns, não duvido… de preferência dos camaradas, pois claro (e mesmo desses não será de todos, pois no PCP de Almada ainda há gente honesta).

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Deputados municipais voltam à escola

Aconteceu ontem a 1.ª reunião da sessão ordinária da Assembleia Municipal de ALmada que aconteceu no Ginásio e Refeitório da Escola Básica do 1.º Ciclo "Miquelina Pombo", em Vale Figueira, na Sobreda de Caparica.
Período de Intervenção do público

Intervieram oito munícipes, havendo a destacar:
Um dos trabalhadores da autarquia que apresentou queixa ao Provedor de Justiça falou sobre a discriminação que ele e outro colega estão a ser alvo na CMA.
Apresentação do projecto social PSIC – Projecto Social de Integração de Crianças, desenvolvido pela Associação de Moradores da Zona do Bairro do Matadouro.
Movimento “Almada sem (E)calma” – entrega de uma petição com 4163 assinaturas.

Ermelinda Toscano interveio para prestar esclarecimentos.

Período de “Antes da Ordem do Dia”

Leitura e apresentação de três votos de pesar sobre:
Falecimento do Almirante Rosa Coutinho (CDU) – Aprovado por maioria com os votos contra do PSD e um do CDS e os votos a favor da CDU, do BE, do PS e um do CDS.
Ermelinda Toscano do BE apresentou declaração de voto.
Falecimento de José Saramago (CDU) – Aprovado por maioria com um voto contra do CDS, a abstenção do PSD e os votos a favor da CDU, do BE, do PS e um do CDS.
Falecimento de José Saramago (PS) - Aprovado por maioria com um voto contra do CDS, a abstenção do PSD e os votos a favor da CDU, do BE, do PS e um do CDS.

Leitura e apresentação de dez moções:
Estado de conservação do IC 20 (PSD) – Aprovada por unanimidade.
Encerramento da Escola Básica do 1.º Ciclo de Pêra (BE) – Aprovada por maioria com os votos contra do PS, a abstenção do CDS e a favor das restantes bancadas (BE, CDU e PSD).
Reabilitação Urbana (BE) – Rejeitada por maioria, com os votos contra da CDU e a favor das restantes bancadas (BE, PS, PSD e CDS).
Pelo investimento de qualidade em projectos estruturantes (CDU) – Aprovada por maioria, com os votos contra do CDS, a abstenção do PSD e a favor das restantes bancadas (CDU, BE e PS).
Aumento dos transportes (CDU) – Aprovada por maioria, com os votos contra do CDS e do PS, a abstenção do PSD e a favor da CDU e do BE.
O PEC e a acção das autarquias (CDU) – Aprovada por maioria, com a abstenção do CDS e a favor das restantes bancadas (BE, CDU, PS e PSD).
Sobre a construção do IC32 (CDU) – Aprovada por maioria, com os votos contra do PS, a abstenção do CDS e a favor das restantes bancadas (BE, CDU e PSD).
Esta ECALMA não serve Almada (PSD) – Rejeitada por maioria, com os votos contra da CDU, BE e PS. A favor PSD e CDS.
Zona pedonal de Cacilhas (PSD) – Rejeitada por maioria, com os votos contra da CDU, a abstenção do CDS e a favor das restantes bancadas (PSD, BE e PS).
Dia da cidade (PS) – Rejeitada por maioria, com os votos contra da CDU e do BE, a abstenção do PSD. Votaram a favor o PS e do CDS.

Haviam, ainda, três “Projectos de Deliberação” do CDS que não forma aceites pela Mesa da Assembleia por não terem respeitado o prazo previsto no Regimento para a sua entrega, o que levou o deputado Fernando Pena a afirmar que “Voltou a censura a Almada”. Votada a decisão da Mesa, a mesma foi aprovada por maioria com os votos a favor da CDU e do PS, a abstenção do BE e do PSD. Os assuntos eram: Protecção das Terras da Costa, o Cruzeiro do Monte da Cruz (Charneca) e a falta de pluralidade no Boletim Municipal.

O deputado Luís Filipe (BE), interveio para explicar as razões do nosso voto contra nas Moções do PSD (Ecalma) e PS (Dia da cidade). No primeiro caso porque, embora sejamos muito críticos em relação à actuação daquela empresa municipal (e elencou vários exemplos), não concordamos com a sua extinção, nomeadamente para a substituir pela Polícia Municipal, e no segundo caso por, entre outros aspectos, não concordarmos com a revogação do Plano de Mobilidade Acessibilidades XXI.

Ainda sobre a ECALMA, Luís Filipe frisou que "é urgente que se faça uma reformulação da forma de actuação da empresa e, em particular, se revejam os regulamentos específicos sobre estacionamento". Luís Filipe lembrou que, antes de haver ECALMA já o BE chegara a criar o movimento "devolvam os passeios aos peões" pois "para o BE as questões da mobilidade e das acessibilidades são um importante pilar na qualidade de vida das pessoas."

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O que os faz agir assim?


Seguiu hoje mesmo uma denúncia à CADA contra a Câmara Municipal de Almada. Os motivos pelos quais o fizémos prendem-se com as razões apontadas no artigo da passada quarta-feira: a "não resposta" aos nossos requerimentos sobre atribuição de subsídios e gestão de recursos humanos.
Para uma autarquia que se diz exemplar ao nível da gestão, que proclama seguir os princípios da transparência, que afirma constantemente que "quem não deve não teme", o que os faz agir assim?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Mais uma não resposta

Nos termos do disposto na alínea f) do n.º 1 do artigo 53.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro (na redacção da Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro), o Bloco de Esquerda (BE) requereu, em 30 de Abril de 2010, à Presidente da Câmara Municipal de Almada (CMA), através de vários requerimentos dirigidos ao Presidente da Assembleia Municipal de Almada (AMA), informações acerca dos apoios concedidos ao movimento associativo do concelho e sobre gestão de recursos humanos.

Em 11 de Junho de 2010 fomos informados pelo Presidente da AMA de que as respostas estavam ao nosso dispor na sede daquele órgão, as quais foram por nós levantadas apenas no dia 21 de Junho de 2010, conforme esclarecimento então prestado.

Analisada a documentação em causa, o Bloco de Esquerda considera, todavia, que a CMA não respondeu às perguntas formuladas, para as quais se solicitara respostas objectivas, tendo-nos sido mesmo recusado a cedência de alguns dos documentos requeridos, alegando que “o direito de fiscalização incide sobre actos e deliberações do mandato em exercício e não dos anteriores dado que as competências são temporais e limitadas ao período do mandato.”

Explicação esta que, contudo, acaba por estar em contradição com o conteúdo da documentação que nos foi agora enviada já que todos os textos dizem respeito ao mandato anterior (à excepção do despacho do Sr. Vereador dos Recursos Humanos, datado de 13 de Janeiro de 2010) e não ao actual: referimo-nos às deliberações da CMA (mais de cem páginas), sobre a concessão de subsídios, assumidas entre 4 de Fevereiro e 2 de Setembro de 2009.

Assim como não se compagina com informações fornecidas anteriormente, como foi o caso do Balanço Social de 2008 remetido como anexo em resposta aos nossos requerimentos n.ºs 2 a 5, de 17 de Novembro de 2009.

Ou seja, apesar do conteúdo do Parecer n.º 117/2009, de 20 de Maio, da Comissão de Acesso aos Documentos da Administração (CADA), emitido na sequência de uma reclamação do BE contra a CMA por uma actuação semelhante no que respeita à negação de informação ou à prestação de esclarecimentos deliberadamente incompletos, o certo é que a autarquia continua a negar o acesso à documentação pretendida num total desrespeito pela legislação autárquica e de direito à informação, numa atitude que julgamos de condenar.

Recusaram-se a fornecer informação dos anos de 2000 a 2008 sobre a atribuição de subsídios e ficaram por responder (ou foram fornecidas respostas incompletas, evasivas e inconclusivas) as questões sobre recursos humanos praticadas em 2009-2010 (contratos a termo resolutivo e mobilidade interna), como facilmente se depreende comparando o teor dos nossos requerimentos com as respostas obtidas.

Resposta ao Requerimento n.º 9

(atribuição de subsídios de 2000 a 2008)Resposta ao Requerimento n.º 10

(subsídios atribuídos em 2009)
Resposta ao Requerimento n.º 11
(Contratos a termo resolutivo certo)


Resposta ao Requerimento n.º 12
(Mobilidade interna inter-carreiras)